Por Márcia Moussallem

Artigo Publicado na Folha de São Paulo. Site do Prêmio Empreendedor Social. www.folha.com/empreendedorsocial. agosto de 2013

Atravessamos tempos de mudanças significativas na arena pública em que a sociedade civil passa a ser um ator fundamental na luta e defesa dos direitos. Não somente agora, mas no decorrer da História do Brasil,  precisamente no final da década de 70  a sociedade civil esteve presente na luta pela conquista dos direitos políticos e sociais.

As organizações do terceiro setor, oriundas das iniciativas de indivíduos emerge neste cenário na defesa dos direitos e na melhoria da qualidade de vida da sociedade.   Neste novo espaço a cidadania ganha um outro estatuto, em que a responsabilidade e ação passa também a ser dos cidadãos por meio da participação ativa.

Neste sentido não podemos deixar de refletir diante dos novos movimentos ou acontecimentos por meio das inúmeras manifestações ocorridas em todas as regiões brasileiras, sobre a importância da sociedade civil. Contudo este é o momento em que as organizações do terceiro setor com suas inúmeras causas e missões devem avançar para causas de cunho coletivo através da participação e mobilização mais ativa perante as questões sociais e políticas. Mudança de paradigma? Pode ser um caminho ou o inicio de uma nova atuação pública das organizações.

Cabe aqui  destacar a ação de algumas organizações que estão se mobilizando e avançando nesta direção. É o caso do Instituto de Revitalização da Cidadania- ReCivitas em São Paulo, que criou um sistema online de democracia digital chamado Manifesto Governe-se, permitindo um diálogo e debate entre as pessoas sobre os assuntos sociais e políticos.

Iniciativa como esta são de suma importância para inspirar outras organizações  do terceiro setor a tomarem a iniciativa de levantar uma outra bandeira de luta e avançar para causas universais.  É possível? É claro que sim. Mas, somente se  gestores, técnicos e colaboradores das organizações   tiverem claro que a missão do terceiro setor, não pode ser resumir em causas e públicos específicos, mas, em causas coletivas.

Para isso é necessário que as organizações estejam preparadas e fortalecidas tanto no campo da gestão como na articulação e ampliação de seu papel político na sociedade.  O caminho não é fácil, mas, necessário para que possamos construir um outro paradigma para o setor em tempos de grandes mudanças.